Música e ancestralidade

Conecte se com os saberes ancestrais através da música. O show "Encantarias do Maranhão" é uma conexão entre o sagrado e o contemporâneo. Um passeio pelos ritmos tradicionais afro pop brasileiros

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LAROYE!

Paó. Venho transitar por estas ruas. Trago farofa, regada a dendê e pimenta, atarê, begerecum, aberê, lelecum e aridã, cintilada de sabor e aroma. Acendo uma vela, assento com cachaça, mel e poesia. Nestes pontos riscados, terreiros nômades, esquinas pilintras, venho colhendo versos, palavras prazenteiras daquelas que movimentam o corpo e sacolejam a saia de chita, rastreiam o fogo que aquece, afina o tambor de onde circulam os sons da ancestralidade.

As ruas são de Exu, senhor do ventre, da comunicação, das estradas, abrindo os caminhos para o verbo, as poesias, o corpo brincante que dança, canta trazendo alegria para o povo. A rua é espaço poético, generoso e coletivo, desde sempre, musa de tantos sonhadores que te enfeitam de bumbas, maracatus, salvas para o Divino Espirito Santo, das festas onde circulam os saberes da cultura tradicional.

Entre Pajelanças e Xirês

Entre Pajelanças, xirês, ladainhas apresentamos uma breve biografia - linhas de vida brincante - História de um boieiro, cantor, músico, compositor, arte educador, Ogã Alabe Huntó, curador, mestre da cultura tradicional maranhense: Henrique Menezes.

Mestre Henrique Menezes, é defensor e guardião da cultura tradicional brasileira, natural de São Luís do Maranhão, é um renomado arte-educador, músico, multi-instrumentista, compositor, pesquisador, ator, dançarino, diretor e coreógrafo já conhecido no cenário artístico brasileiro.

É filho de Zezé Menezes de Iemanjá, ekedi, dotada de uma das vozes mais potentes da nossa música popular, e sobrinho, filho de santo de Pai Euclides Talabyan, babalorixá, fundador de um dos mais tradicionais centros afro-religiosos do Maranhão.

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Casa Fanti Ashanti

A referência da nação Jeje-Nagô, tema de inúmeras pesquisas e teses acadêmicas em todo Brasil, é a Casa Fanti Ashanti. A trajetória artística de Henrique está permeada dos saberes adquiridos neste espaço sagrado onde a tradição e o fundamento se expandem através dos mestres e mestras que compartilham seus conhecimentos artísticos e espirituais.

Mestre José Henrique dos Reis de Menezes é um destes semeadores da cultura tradicional que nos ensinam em silêncio, em itans, em gestos, pontos, toadas, no bailar do corpo ao redor do tambor. É um brincante.

Maria José Reis de Menezes

Conhecida como Mestra Zezé de Yemanjá, é Ekedi e uma das vozes mais poderosas do cancioneiro tradicional. Guardiã do Tambor de Mina da Casa Fanti-Ashanti em São Luís, ela mantém viva a tradição das Caixeiras do Divino Espírito Santo, realizando ritos que envolvem música, dança e profunda devoção.

"Quando eu nasci, minha mãe estava na roda de tambor de crioula, quando estourou a bolsa, e ela não contou nada pra ninguém... continuou dançando no tambor de crioula, dançou até quando ela não pôde mais. Falou, bem, agora eu tenho que ir porque o Henrique já vai nascer."

Encantarias: entre o som e o sagrado

Desde a infância, Henrique Menezes esteve imerso na rica tradição da cultura maranhense. Na Casa Fanti Ashanti, a "Família Menezes" é guardiã de memórias ancestrais, fonte inesgotável de um saber que percorre linhagens: patrimônio imaterial da nossa cultura brasileira que reúne devoção, musicalidade, rituais, festejos, fitilhos, ladainhas e orações, movimentos simbólicos do corpo, a dança, inúmeros ritmos, o rigor da indumentária, cânticos sagrados, os sabores coloridos das oferendas, a delicadeza das artes manuais.

Sua infância é permeada por memórias das brincadeiras no terreiro, do tamborilar em latas velhas no quintal, "brincando de macumba". Menino de pele preta, morava em uma pequena casa de taipa, vivia entre o bairro de Fátima, onde era sua casa e no bairro Cruzeiro do Anil onde se localizava a sede do terreiro.

Teve que trabalhar muito cedo para auxiliar no sustento da família, vendendo salgado, doces, geladinhos, cocadas, acarajés, transitando nas frestas, tendo o colo das ruas como mãe criadeira. Embora a infância tenha sido um tanto difícil, a maioria das histórias é contada como lembrança alegre, sempre existe um motivo para festejo.

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"A gente brincava de fazer macumba, de tocar no terreiro de criança. Era a nossa brincadeira e era a minha escola também, de aprendizagem a tocar. Aprendi muito ouvindo, ele (Pai Euclides Talabyan) me ensinava também algumas coisas e eu nem sabia, ele me preparou para ser um educador, para ser um músico."

A Primeira Toada

Aos 5 anos, pede ao Pai Euclides pra cantar no boi (Garotos do Cruzeiro), que é o boi de encantado que existia na Casa Fanti Ashanti. Recebe como resposta: "Pra ser cantador no boi tem que compor uma música".

E foi assim, como um discípulo despertado pelo Mestre, que ele compõe sua primeira toada:

"O meu nome é Henrique,
eu gosto de cantar boiada,
São João me prometeu,
o meu touro amansar.

Ê boi, Ê boi, Ê boi,
esse ano eu estou
em primeiro lugar"

Recebeu de Pai Euclides Talabyan um maracá, tornou-se Amo e desde então não parou mais de cantar.

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Ogã Alabe Huntó

Aos 11 anos inicia sua trajetória como Ogã Alabe Huntó. Além das memórias das tradições Jeje, adquiridas no Tambor de Mina, passa pelos rituais de iniciação do candomblé Nagô, seguindo a linhagem do Ilê Obá Ogunté (Sitio do Pai Adão) em Recife.

Para as comunidades de terreiro, o sagrado compõe o modo de vida brincante, o fazer artístico, a maneira de ensinar e aprender, de ser e estar no mundo. Foi nesta época que recebeu o apelido de "curador".

Ao longo dos anos, aperfeiçoou seus dons artísticos e sua pesquisa em cultura tradicional através do envolvimento com as festividades do calendário do terreiro, que incluem tambor de mina, candomblé, brinquedo de cura, pajelança, baião de princesas, samba angola, tambor de crioula, bumba meu boi e a festa do Divino Espírito Santo.

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No Coração de São Paulo

No coração de São Paulo, Mestre Henrique Menezes firmou seu trabalho como percursionista, cantor, compositor, arte educador e brincante. Ministra oficinas de formação para educadores, crianças, jovens e adultos em escolas, SESC, Conservatórios Musicais e espaços culturais em todo Brasil.

Sua trajetória artístico musical conta com trabalhos como a banda "Bom que dói", Henrique e os alabes, Cacuriá Pé no Terreiro, além de participações no Grupo Cupuaçu de danças brasileiras e o coletivo Ponto Br.

Mestre Henrique Menezes participa da peça teatral Auto do Guriatã como cantor, ator e percursionista. Atualmente faz shows pelo Brasil com seu mais recente trabalho "Encantarias do Maranhão" e apresentações com o grupo Festejos de quintal.

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